Ato I - A Festa
Posted on 23:18 by André V'
- Acorda, já são dez da manhã.
- Hoje é meu aniversário, deixe-me dormir.
- Não senhor, sua festa não vai se montar sozinha, aliás, o Kenny ligou,
já está vindo pra cá.
Nem terminou de falar e já abriu a cortina deixando que os raios
de sol invadam meu quarto e, consequentemente, não me deixem dormir.
Já sentado na cama, observo um pássaro alimentar seus filhotes na
árvore perto da minha janela.
- A propósito, preciso do carro pra hoje.
- Algum encontro?
- MÃE!
- O que foi? Não posso querer saber o que MEU filho vai fazer com o MEU
carro?
- Você sabe que tenho que pegar as coisas para a festa e levar pra casa
do Kenny.
- Não esqueça de encher o tanque.
E saiu do quarto antes que eu pudesse responder.
Depois do banho desci para comer alguma coisa. Estava na sala
vendo TV quando Kenny chegou e já se jogou no sofá.
- Eric, parabéns!
- Valeu cara, mas deixa de sentimentalismo e vamos logo andando pra sua
casa, há muito para se fazer.
- Aham, mas antes temos que passar na Lizz.
- Para?
- Só para pegar as bebidas, deixei lá ontem a noite, já era tarde quando
sai da casa dela e não queria dar mole pra polícia.
- Hm, vamos então.
Após uma longa e cansativa tarde, era hora de se aprontar pra
festa, sai da casa do Kenny as 19:00h e fui direto pra casa. Essa festa
prometia...
Cheguei por volta das 21:00h, muita gente já havia chegado. Fogos voaram ao céu quando entrei, muitos vieram me felicitar. Entre muitos abraços e elogios, avistei no um homem, cerca de 20 anos, em pé ao lado da cerca da casa, algumas pessoas passara na minha frente, quando tornei a olhar, ele já havia sumido.
Logo após, Lizz veio falar comigo.
- Parabéns. – Abraçou-me
- Obrigado . Chegou agora?
- Sim, estava terminando umas coisas do colégio.
- Sei, quer beber alguma coisa?
- Claro.
Fomos á mesa de bebidas, apesar de não ter 21 anos ainda, eu já
dava as minhas entornadas como todo adolescente, mas, essa noite, incrivelmente
eu não estava muito disposto a beber, não sei o que era direito, mas uma
sensação ruim tomava cada vez mais conta do meu corpo.
O tempo foi passando e, naturalmente, todos estavam ficando mais
bêbados. Lembro que estava conversando com Lizz, Thomas e Kenny quando uma
senti uma súbita vontade de vomitar, levante-me e fui para a lateral da casa,
pois a fila para o banheiro estava enorme. Apoiei a mão no muro e a ânsia de
vômito foi passando e dando lugar a uma agonia. Uma tontura tomou conta de mim
e cai sentado, escorado no muro da casa. Um rapaz, o mesmo que estava perto da
cerca no inicio da festa, veio até mim. Levantou-me, e , depois de um silêncio
mortal, seus olhos mudaram de pretos para vermelho-sangue, depois disso, só
lembro-me de sentir uma forte dor no ombro direito e cair no chão.
Acordei em casa, com o barulho do despertador, nunca tinha percebido que
ele era tão alto. Era feriado na minha cidade, Hanford Hills. Enquanto tentava
voltar a dormir, me lembrei da noite anterior. As piadas, risadas, os fogos, os
shots, enfim, tudo que valia a pena
ser lembrado. Naturalmente, me recordei da cena em que passei mal. Lembrei-me
da dor no ombro e corri para o banheiro, no espelho, nada vi, nenhuma marca,
cicatriz, nada do tipo. Talvez estivesse sonhando, ou fosse uma alucinação, não
sei, melhor deixar para lá.
Tomei banho e segui para a casa do Kenny, tínhamos que arrumar a casa toda, esse foi o acordo com os pais dele. No meio do caminho, ouvi um grito de uma mulher. Parei o carro e abaixei o vidro, outro grito veio em seguida. Algo me dizia para ir atrás, tentei resistir mas a curiosidade foi maior. Encostei o carro, desci e segui o som, não sei como, mas eu sabia de onde vinha. Parei em frente a um velho galpão, onde, quando eu era criança, funcionava uma empresa de transportes. Forcei a porta para abri-la mas sem sucesso, forcei mais um pouco e as dobradiças se romperam. Não sei como mas eu fiz aquilo. Lá dentro, não vejo nada demais, só algumas caixas empoeiradas. Ouço uma voz atrás de mim.
Tomei banho e segui para a casa do Kenny, tínhamos que arrumar a casa toda, esse foi o acordo com os pais dele. No meio do caminho, ouvi um grito de uma mulher. Parei o carro e abaixei o vidro, outro grito veio em seguida. Algo me dizia para ir atrás, tentei resistir mas a curiosidade foi maior. Encostei o carro, desci e segui o som, não sei como, mas eu sabia de onde vinha. Parei em frente a um velho galpão, onde, quando eu era criança, funcionava uma empresa de transportes. Forcei a porta para abri-la mas sem sucesso, forcei mais um pouco e as dobradiças se romperam. Não sei como mas eu fiz aquilo. Lá dentro, não vejo nada demais, só algumas caixas empoeiradas. Ouço uma voz atrás de mim.
- Perguntas sobre ontem a noite?
- Você... você estava lá ontem, não estava?
- Certamente. E sim, eu tenho a resposta para sua pergunta.
- Que pergunta?
- O que aconteceu ontem a noite?
Prontamente, ele agarrou meu pescoço e fez um corte na minha nuca. Uma
dor intensa tomou conta do meu corpo. Comecei a ver flashes da noite passada.
Uma floresta, árvores, escuridão, nada fazia sentido. Os flashes começaram a
ficar mais intensos até formarem uma história. Estava correndo no meio da
floresta, saltava muito alto e tinha reflexos incríveis, parei no rio e admirei
a lua, estava tão intensa e brilhante que dava para ver meu reflexo na água.
Esperem, meu reflexo, eu estou parecendo um, um... lobisomen.